terça-feira, 25 de maio de 2010

As verdades de hoje são as mentiras de amanhã.

Se a sabedoria fosse possível, já a teríamos conquistado há séculos. Apenas na arte de manipular o mundo podemos avançar. No campo do conhecimento podemos derivar, refutar, desconstruir, inventar, dividir, considerar... mas não chegar a um saber definitivo.

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A irrefutabilidade de um argumento não o valida necessariamente.

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A particularidade humana acredita-se universal num pequeno canto do Universo.

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A ciência é lente para alguns e venda para outros: aqueles que acreditam ver algo a mais com a ciência, veda-se; aquele que sempre se incomoda com a vista embaçada dos óculos científicos, enxerga mais longe. Para ser mais direto: o saber científico somente ocorre a quem desconfia deste saber – o desconfiar é a própria ciência.

10 comentários:

Gustavo disse...

Sobre a primeira proposição, tem uma frase interessante que diz: "Não evoluimos no planeta, mas com o planeta."
Há uma co-evolução organismo-ambiente, assim como mente-corpo.

Por isso não acho egoísta a educação de si próprio. Só por meio da educação dos prazeres físicos e estéticos, do gosto pela vida, esta poderá prosperar..

DGorla disse...

eae, Gu?!
Não sei se captei a relação do "evoluir com o planeta" com a primeira proposição. Sobre a "mente-corpo", não vejo também um limite bem definido entre um e outro. A relação que vejo é de causa efeito: a mente é efeito.

"Egoísta", "educação de si próprio".. não sei. mas o que está claro e que precisamos pensar no como, e não por que... Ou ainda temos que inventar muitos porquês?

legal ter alguém para comentar as proposições. Gostaria de te ter sempre aqui pelo Blog.

abração

EriK disse...

sinto-me contemplado: "o desconfiar é a própria ciência"
!!!!
é o que me move aqui dentro; é o que me faz acreditar que minha vidinha não é tão inútil como sempre a julguei

Gustavo disse...

Eu quis dizer que a sabedoria, como saber definitivo, realmente não parece ser possível. Porque não só o ser humano se transforma, como também o habitat onde ele vive se transforma, junto com todas as "leis" ou regularidades que ele carrega. Como diz o título: as verdades de hoje, são as mentiras de amanhã. Aliás, o habitat é, na verdade, um composto de outros seres em evolução ou apenas transformação. Deixe-me citar outra frase, que está muita próxima de seu pensamento:
"A "Evolução" foi a história de como os organismos aprenderam mais truques para controlar o meio ambiente, sendo que o homem tinha melhores habilidades do que qualquer outra criatura. Mas essa filosofia científica arrogante agora está obsoleta, e no seu lugar existe a descoberta de que o homem é somente uma parte de sistemas mais amplos e que a parte nunca pode controlar o todo."

DGorla disse...

adoro sorver o néctar que escorre dos pensamentos mais corajosos.
Continue a desconfiar, Gustavão.
Gostei das suas investidas.

Gustavo disse...

hahahhhahah
legal!

eu tava meio academico! rs

EriK disse...

Lembrei da questão da desconfiança ao deparar-me com esta frase:
"O único mundo real é o mundo das aparências: o mundo verdade é gerado pela mentira"


aplausos pro sinhô!!!

DGorla disse...

Tá, mas vc tirou essa frase do Blog?? Não sei se eu diria que o mundo verdade "é gerado pela mentira". Mas que ele é uma invenção, isso sem dúvida. O que é o mundo verdade? o Nietzsche fala da evolução do conceito de mundo verdadeiro no Crepúsculo dos ídolos "Como o mundo verdade se tornou uma fábula - A história de um erro". É uma crítica ao platonismo.

erik..... disse...

acho que você não me entendeu, meu caro Watson.
falei da questão da desconfiança; deve-se sempre desconfiar daquilo que percebemos e consensualizamos como o real, como uma verdade científica. daí pode-se afirmar que o mundo verdade é gerado pela mentira. Comprende, hombre?
Neste seu raciocínio, podemos, pois, afirmar que a realidade é um acordo intersubjetivo?

DGorla disse...

Hum! Acordo intersubjetivo? Vamos ver: algum acordo pode não ser intersubjetivo? Como? A realidade? se eu digo "a realidade é..." estou criando uma relação entre uma palavra e um conceito, que é uma porção de palavras, e, por mais consensual que seja essa relação, ela não é perene e perpétua, ao contrário, se hoje essa relação entre uma palavra e um conceito é unânime, é muito possível que em breve sua relação oposta seja a prevalente.