quarta-feira, 26 de maio de 2010

A inconsciência contra a dor

Inventamos muitas artimanhas para lidar com a dor. Acreditar que a dor é justa, cabida e devida é uma delas. Mas para que nosso método surta efeito, temos que nos proteger da consciência sobre a crença numa invenção descarada, da consciência de que somos inocentes. Então, valemo-nos de outra artimanha: consideramos ser a tal consciência uma sensação refutada, da qual precisa-se fugir. Com este último artifício, cristalizamos gerações alienadas da obviedade de que nada é justo. A idéia de justiça, que intenta dar força aos mais fracos de uma relação, é, em si, injusta. A justiça é uma invenção que guarda em si um erro de perspectiva.

7 comentários:

gu disse...

eai diegão.. gostei de sua psica-nálise.
eu acho tb que a moralidade escrava de nossa psicologia, significa a domesticação do homem. Dizem que entre os cachorros, o que melhor se comunica com o homem é o puddle. Talvez entres eles haja muita semelhança, afinal, são extremamente fragéis e medrosos. Talvez se o homem, em vez de fugir de seu sofrimento, o enfrentá-se, o mundo perderia sua muletas, e não andaria mais manco.

abs!

Anônimo disse...

psicologia para cachorros!? hauhau! hehe. kkk...
Enfrentar... se o homem enfrentasse o mundo? acho que não há a opção de fugir.

DGorla disse...

Gu, acho que não saquei exatamente o lance da moralidade escrava. se tiver alguma referência, abre o jogo pra nóis... Abc.

gu disse...

então..
não é enfrentar o mundo.. mas aceitar seu sofrimento.. como inclusive, coisa boa.. sinal de que está vivo ! Isto não ocorre, nas culturas muito urbanas e tecnológicas, em que há o mesmo processo de domesticação do homem, assim como fazemos com os cachorros, parece realmente a mesma psicologia. kkk

O homem assim se torna bom, mas na verdade é uma bondade ressentida, tipica dessa moralidade escrava.
A moralidade escrava, é um conceito do Frederico.. rs. Nietzsche, que se opõe a moralidade nobre. Nas suas palavras: "Enquanto a moral nobre nasce de um triunfante Sim a si mesma, já de início a moral escrava diz Não é seu ato criador. Esta inversão do olhar que estabelece valores __este necessário dirigir-se para fora, em vez de voltar-se para si __ é algo próprio do ressentimento: a moral escrava sempre requer, para nascer, um mundo oposto ao exterior, para agir em absoluto __ sua ação é no fundo reação”.

Diegão, espero que meus comentários, não estejam de todo ridiculos.. kkk.. obgado por estimular o dialogo..
abs

DGorla disse...

vlw pelos coments, Gu. É bom ter um lugar para falar de filosofia sem se preocupar muito com o rigor. espero que esteja sempre por aqui.
Quanto ao trecho do Friedrich, eu gostei mto. Vc sabe dizer que passagem é essa? É do Genealogia?

Abraços

gu disse...

mto bom esse lugar.. vc estimula bem as idéias.. a citação é da genealogia da moral.. continua assim:
"o homem do ressentimento não é franco nem ingênuo, nem honesto e reto consigo. Sua alma olha de través ele ama os refúgios, os subterfúgios, os caminhos ocultos, tudo escondido lhe agrada como seu mundo, sua segurança, seu bálsamo; ele entende do silêncio, do não esquecimento, da espera, do momentâneo apequenamento e humilhação própria."

Anônimo disse...

sim, sim!
Olha só, acho que dos assuntos mais polêmicos e que exige mais coragem é a moral.
O genealogia é muito bom. Mesmo.
Diego